LOS ANGELES, 14 de junho — A nação com menor população no torneio encontra-se hoje com os tetracampeões, quando a pequena Curaçau defronta a Alemanha num verdadeiro conto de fadas da Copa do Mundo.
Curaçau, uma ilha caribenha de 160.000 habitantes, está a fazer a sua estreia na Copa do Mundo, beneficiária da decisão da Fifa de expandir o campo para 48 equipas este ano.
O treinador da Alemanha, Julian Nagelsmann, descreveu o jogo em Houston como um encontro entre "David e Golias", enquanto o seu homólogo Dick Advocaat acredita que os seus jogadores podem "roubar alguns pontos".
A atitude descontraída dos jogadores de Curaçau já conquistou admiradores, com jogadores a cantar e a dançar sem camisa no autocarro da equipa numa publicação viral nas redes sociais.
"Somos uma nação que também adora fazer uma pequena festa", disse o capitão Leandro Bacuna. "Adoramos divertir-nos."
Advocaat, de 78 anos, é o treinador mais velho da história da Copa do Mundo.
Apesar da sua vasta experiência tanto a nível de clubes como internacional — já orientou os Países Baixos e a Coreia do Sul numa Copa do Mundo —, o holandês afirmou que o espírito de equipa que levou Curaçau ao torneio era único.
"O espírito de equipa neste grupo é algo que nunca vi antes. Como país, daremos tudo para vencer pela ilha, mas não somos os favoritos", disse ontem.
Nagelsmann comparou o jogo a um confronto de clube a nível nacional.
"Esta é uma situação de Taça da Alemanha. David contra Golias", afirmou, e avisou a sua equipa: "Nunca se ganha um jogo só por ser favorito."
O guarda-redes alemão Manuel Neuer vai estar na sua quinta Copa do Mundo.
Irão a entrar nos EUA
A participação do Irão no torneio esteve envolta em dúvidas durante meses, após os Estados Unidos e Israel terem lançado um ataque aéreo à República Islâmica que se tornou numa guerra mais ampla no Médio Oriente.
Mas hoje, a equipa deverá voar para Los Angeles a partir do seu campo de treino no México, na véspera do seu primeiro jogo.
O Irão defronta a Nova Zelândia na cidade amanhã, assinalando a primeira vez que um país anfitrião da Copa do Mundo recebe um país com o qual está em guerra.
Mas a equipa iraniana teve de deixar muitos dos seus elementos de apoio em Tijuana, após os EUA terem recusado vistos a 15 funcionários administrativos e de gestão.
Noutros jogos de hoje, os Países Baixos defrontam uma equipa do Japão enfraquecida pela ausência do seu capitão lesionado Wataru Endo, que anunciou na quinta-feira o fim da sua carreira internacional.
O treinador do Japão, Hajime Moriyasu, descreveu ontem o médio do Liverpool Endo como "magoado" e pediu desculpa depois de afirmar que foi decisão sua que o jogador de 33 anos não participasse, na sequência de uma lesão no pé.
Na Filadélfia, a Costa do Marfim defronta o Equador e a Suécia joga com a Tunísia no último jogo do dia.
A Suécia teve um percurso curioso até ao torneio, tendo falhado em ganhar um único jogo na fase de grupos da qualificação.
Obtiveram o bilhete apenas graças ao desempenho na Liga das Nações da UEFA.
A Suécia conta, porém, com um potencial ofensivo que inclui as estrelas da Premier League Alexander Isak e Viktor Gyokeres.
O Brasil, pentacampeão, foi travado com um empate 1-1 por uma poderosa equipa de Marrocos, ao lançar o rastilho do seu desafio ontem.
A Escócia conseguiu a sua primeira vitória na Copa do Mundo desde 1990, com o remate desviado de John McGinn a dar-lhes um triunfo por 1-0 frente ao Haiti.
E a Austrália surpreendeu a Turquia por 2-0, dando aos Socceroos uma forte hipótese de avançar do Grupo D. — AFP


