O Supremo Tribunal (ST) suspendeu na segunda-feira o advogado Jesus Nicardo M. Falcis III do exercício da advocacia por um ano, após considerá-lo culpado de conduta imprópria simples devido a uma publicação nas redes sociais contendo linguagem obscena e ofensiva, sublinhando que os advogados continuam vinculados a padrões éticos mesmo online.
Numa decisão redigida pelo Juiz Associado Jhosep Y. Lopez, a Segunda Divisão do ST determinou que o Sr. Falcis utilizou "linguagem abusiva, ofensiva ou imprópria" numa publicação no X, anteriormente Twitter, ao defender o seu irmão no âmbito de uma queixa de furto qualificado apresentada por Kris Aquino. A publicação continha comentários vulgares dirigidos aos apoiantes da Sra. Aquino e tornou-se posteriormente objeto de uma queixa administrativa apresentada perante a Ordem dos Advogados Integrada das Filipinas (IBP).
A IBP concluiu que o Sr. Falcis violou o Código de Responsabilidade e Prestação de Contas Profissional (CPRA) e recomendou que fosse multado e repreendido. O ST concordou com a conclusão, mas impôs uma penalidade mais severa, citando a gravidade da conduta imprópria e as suas anteriores violações administrativas.
O tribunal afirmou que os advogados são obrigados, nos termos do CPRA, a utilizar linguagem digna tanto nas suas relações profissionais como pessoais, incluindo nas redes sociais. Acrescentou que o Sr. Falcis poderia ter defendido o seu irmão através de argumentos jurídicos em vez de recorrer a obscenidades e ataques pessoais.
O ST sublinhou ainda que a liberdade de expressão dos advogados é limitada pelo seu juramento e responsabilidades profissionais, notando que as publicações nas redes sociais podem facilmente alcançar um vasto público e afetar a perceção pública da profissão jurídica.
Numa declaração no Facebook emitida após a decisão, o Sr. Falcis afirmou que aceita a decisão do tribunal, reconhecendo que todos os advogados estão sujeitos à autoridade disciplinar do Supremo Tribunal.
"Entre 2018 e 2019, estava a lutar pela vida e liberdade do meu irmão, e pela segurança e reputação da minha família", disse, acrescentando que se sentiu "desamparado e impotente" e recorreu às redes sociais para fazer ouvir a sua voz.
O Sr. Falcis afirmou que reconhece que "as palavras, contidas num tweet, têm poder" e que os advogados devem ser responsáveis pelas suas declarações e ações.
O tribunal elevou a penalidade de multa para suspensão, citando as infrações administrativas anteriores do Sr. Falcis, incluindo constatações de desacato direto e indireto.
Numa opinião concordante, o Juiz Associado Sénior Marvic M.V.F. Leonen afirmou que a publicação parecia ter como objetivo provocar envolvimento e não demonstrava remorso, descrevendo-a como potencial "isca de indignação" dada a sua natureza pública e viral. — Mark Joseph M. Sanchez


